E agora? O tema é livre!
Pronto. O tema é livre, faz-se o desespero. Todo candidato logo pensa: o que eu vou escrever aqui? Uma folha branca, uma caneta, cabeça fervilhando de idéias, tanto que elas se atropelam pelo caminho. E eu? O que escrevo?
Poderia talvez, escrever sobre mim, mas isso eu fiz na etapa passada, quando tive que me relançar no mercado. Talvez escrevesse sobre minhas experiências. Vou falar desde o tempo da graduação até agora, na segunda pós. Mas, cá ente nós, li uma vez, e concordei em gênero, número e grau, que as experiências se renovam a cada momento, tornando-se, portanto, um tanto quanto complicado mensurá-las. Poderia citar, mas isso seria vago, preciso de tempo para mostrar o que sei, não caberiam todas em algumas linhas escritas em poucos minutos.
Então, decidido. Vou escrever sobre minha vida. Vou contar que sou o terceiro filho de seis, tenho pais maravilhosos que me ensinaram a viver, ver e ouvir e, sobretudo, a respeitar. Posso contar que briguei muito com meu irmão e minhas irmãs, mas hoje, se acontece alguma coisa com algum deles, sou o primeiro a pular na frente para ajudá-los. Vou contar que amo a vida e tudo que ela me traz, com a licença do rei, é claro. Conto ainda que pretendo me casar com minha namorada, mas brinco com ela dizendo que não, e ela fica brava comigo, mas logo depois fazemos as pazes, afinal, ela sabe a verdade.
Mas aí vira uma autobiografia. E as folhas são poucas para isso. O tempo é corrido, o processo seletivo é rápido, o selecionado tem que começar já. Então vou falar sobre política...! Mas olha eu, de novo, querendo escrever um livro.
É, não dá. O tema é livre, mas o tempo não. E agora?
